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  • clara ceribelli

Os 3 centros de atração



Recentemente estive fazendo uma análise sobre minha vida em relação ao que me faz realmente sentir atração por alguém. Eu nunca consegui sentir prazer com alguém simplesmente por achar a pessoa bonita... também nunca conseguir sentir desejo por achar a pessoa inteligente, legal, engraçada, etc etc etc. Nada disso me faz sentir atração sexual verdadeira. Então, uns 2 anos atrás eu li um livro de uma sexóloga australiana que eu amo, a Juliet Allen, e nele ela discorre sobre nossos três centros energéticos de atração/conexão: corpo - coração - mente. Isso fez bastante sentido pra mim na época, mas só agora estou conseguindo realmente destilar esse entendimento. No livro ela nos ensina que pro prazer alcançar a máxima potência, esses três centros tem que dizer SIM. Não adianta conexão mental se seu corpo diz não. Não adianta conexão emocional se sua mente diz não. Não adianta atração física se o coração não se conecta. Os três centros precisam dizer sim para que a atração seja, de fato, real. Eu nunca realmente compreendi amigos e amigas me contando sobre suas experiências sexuais "carnais" porque eu simplesmente não nasci com esse "mecanismo" - meu funcionamento interno é completamente diferente. Não por escolha, o que já me deixou muito frustrada inclusive, por me fazer sentir um peixe fora d'água... eu simplesmente SOU assim e agora percebo o que é isso: o desejo do meu corpo responde completamente ao desejo do meu coração, ponto. Percebi que ao longo da minha vida, muitas pessoas com quem me relacionei não me dava prazer algum, não sentia desejo, muitas vezes sentia dor, e na maioria esmagadora eu não sentia absolutamente nada... como uma anestesia. E quando falo de me relacionar não estou falando só sobre sexo, estou falando na maior parte sobre beijo. Beijo é muito banalizado, e é uma coisa poderosa. Não sentir tesão beijando é uma tristeza, porque é no beijo que começa o desejo… E eu quase sempre não sentia nada, beijava tão aleatoriamente como se eu estivesse lavando louça, rs. E achava estranho as pessoas me contando de suas transas loucas porque eu beijava as pessoas e não sentia vontade alguma de transar com elas. Sentia que devia ter algo errado comigo afinal e fiquei me perguntando o que me impulsiona a querer trocar com alguém. Foi então que muita coisa começou a perder o sentido (ou finalmente, fazer sentido!) e descobri que não havia nada errado comigo! Percebi que na maior parte da minha vida, e acredito que na da maioria das pessoas também, eu sentia uma atração meramente MENTAL - o que minha cabeça pensa sobre a pessoa, o que julgo sobre o que vejo, aparência tanto física quanto sobre "o que a pessoa parece ser", como gostos pessoais, características de personalidade, etc. São atrativos como uma vitrine que a gente se apega achando o seguinte: bom, essa pessoa é linda, gosta das mesmas coisas que eu, logo, me sinto atraída por ela e quero trocas físicas. É assim que a mente vai, e não há nada de errado com isso, a questão é que é incompleto. A atração mental não necessariamente leva ao prazer carnal, e foi aí que eu sempre travei porque seguia essa linha, terminava frustrada e não sabia porque. Até que eu tive um relacionamento bem longo e pela primeira vez eu comecei a entender melhor como eu funcionava: como havia coração ali, meu corpo simplesmente se abria, naturalmente. Quando havia brigas, o corpo fechava, porque o coração fechava. Então até mesmo numa relação que há sentimentos, nem sempre o prazer vem porque meu prazer depende do meu estado emocional em cada momento específico. Depois que fiquei solteira novamente, comecei a ficar muito mais consciente da forma como me relacionava com as pessoas... foi perdendo cada vez mais o sentido a "atração mental", e a atração meramente física eu nunca tive mesmo. Meu tesão vem do amor, vem do coração. Me considero no mínimo intrigante, porque hoje em dia todo mundo se pega e se beija e se relaciona de forma fugaz e isso é considerado normal, e eu, anormal. Mas, sendo anormal ou não, passei a respeitar a maneira como funciono e a perceber o que isso quer dizer. Conclui que o coração, o centro emocional, é o mais difícil de conectar com alguém, porque para isso depende das duas pessoas terem abertura. Claro que, pro corpo e pra mente se conectarem, também depende das duas pessoas, mas é geralmente bem mais fácil porque não envolve tanta intensidade. O coração é a porta da alma, literalmente, e eu recentemente recebi uma linda mensagem de que “liberdade” é simplesmente seguir as vontades da sua alma. Isso me tirou 100kg das costas, porque temos uma ideia distorcida de que liberdade é fazer tudo, já que podemos tudo então devemos fazer tudo (inclusive beijo, sexo… quanto mais, mais liberdade - eles pensam). E percebi que isso não é verdade. Hoje olhando pra minha trajetória, 90% das pessoas que eu me relacionei, eu não queria com a alma. Eu queria com a mente. E querer com a alma não necessariamente é querer um relacionamento (muito embora geralmente seja)... querer com a alma é simplesmente consultar seu coração naquele momento pra saber se faz sentido você trocar com essa pessoa. Seja por uma noite, um mês ou uma vida. Seu coração vai te dizer porque o coração não julga certo ou errado. Seu coração te mostra o melhor pra você ali naquele momento… e muitas vezes o que o coração quer é BEM diferente do que a cabeça quer, ou mesmo o corpo. Já passei muito por isso, mesmo com pessoas que eu tinha sentimentos… muitas vezes rolava a conexão mental, o assunto, as ideias, a afinidade. Também rolava a conexão corporal, extremo desejo e um tesão super intenso, MAS… o coração, por inúmeros motivos, não quer. Não quer porque tá inseguro, não quer porque não sente a abertura da outra pessoa, enfim… as vezes nem tem explicação, eu só sinto meu coração apertar e sei que não seria liberdade alguma ir contra o que minha intuição diz. Liberdade é seguir a intuição. Seria uma prisão me tornar “refém” dos desejos do meu corpo sem considerar que eu não sou SÓ um corpo. Eu sou coração, mente, espírito, energia… e todos esses aspectos do meu ser tem algo a me dizer sobre as situações e pessoas. Para que algo seja verdadeiro, genuíno e tenha o máximo de prazer, TODOS os aspectos tem que dizer SIM. E infelizmente por tanto tempo eu não soube disso e me machucava sem entender o porquê… e vejo que a maioria das pessoas também se machucam sem perceber. Você pode até estar com desejo físico, mas se seu coração não estiver aberto e você “ceder”, você estará ferindo seu coração enquanto dá prazer pro seu corpo. Vale a pena?

Não é todo mundo que vai conseguir ter essa compreensão porque isso exige uma profunda conexão consigo mesmo, muita auto consciência e principalmente, auto respeito… coisas que levei anos para desenvolver e ainda estou em processo. O auto respeito é o mais desafiador porque a gente se rende pra mente. A mente fala coisas, inventa justificativas, a gente acredita… e se fere. Existem duas etapas nesse aprendizado: primeiro, aprender a reconhecer os próprios limites - e segundo, respeitar esses limites. Por muitas vezes eu já os reconheci mas não os respeitei. Nesse momento estou exercitando seguir TUDO que minha intuição fala a partir do coração, mesmo que minha mente ou meu corpo me digam o oposto. E não só sobre relações e pessoas, mas sobre tudo na minha vida. Em tudo na vida os seus três centros - corpo/coração/mente - tem que dizer sim. E o “sim” do coração exige um auto esforço de encarar os próprios medos, as tristezas, os pesos… pra ouvir claramente você tem que, primeiro, limpar o máximo possível. Muitas vezes o coração se fecha, não porque não quer realmente, mas porque tem dores ali sendo ativadas e ele quer se proteger. A partir do momento que você lida com essa dor, o sim vem. Mas primeiro, respeite o não. Respeite o limite. Se você sabe que por trás desse “não” existe um “sim” bloqueado, entenda qual é esse bloqueio. Isso pode ser em qualquer centro. Já passei por situação que a mente estava ok, coração ok, e o corpo estava bloqueado por traumas… já passei por situação que o corpo estava ok, o coração estava ok, mas a mente estava bloqueada por situações mal resolvidas… já passei por situação que a mente estava ok, o corpo estava ok, mas o coração estava bloqueado por medo. O que fazer?

Buscar o sim. E é óbvio que não é com todas as pessoas que vamos ter sim nos três centros. Não necessariamente isso é uma coisa ruim, depende de como você funciona e pra isso você tem que se conhecer - o que posso afirmar é que pra mim, não funciona. Não funciona deixar alguém entrar dentro do meu corpo se não puder entrar no meu coração. Veja o que funciona pra você. Eu não sou só corpo e não posso me tratar como se fosse, desconsiderando todo o resto que também tem suas necessidades e limites. Não sou só coração. Não sou só mente. Eu sou tudo isso e é minha responsabilidade olhar para todos esses lados, entendê-los e integrá-los o máximo que for possível. Isso é equilíbrio: quando todos os seus centros apontam na mesma direção e dizem sim. Seja relações, seja trabalho, seja lugares, decisões. Consulte seus centros… Pergunte pro seu corpo o que ele quer e veja o que ele fala, pergunta pra sua cabeça o que ela quer e veja o que fala… e pergunta pro seu coração. Você vai se surpreender com as respostas!


Para finalizar, queria trazer uma reflexão sobre um dos filmes mais geniais que já assisti - Ninfomaníaca. Nele, a Joe, personagem principal, faz exatamente o oposto de tudo que estou dizendo aqui. Ela se submete a relações abusivas, sexo frio, violento, manipulador… se rende aos “desejos do corpo” até mesmo quando seu corpo não quer! Ela é totalmente escrava da necessidade mental sobre o sexo porque muitas vezes não sente nem prazer, mas precisa daquilo. Para mim, o filme é um retrato bem fiel, apesar de mais dramático, sobre a realidade do que muitas pessoas andam fazendo consigo mesmas, e muito do que eu mesma já fiz. Em um determinada cena do filme, uma amiga da Joe diz pra ela “você não entende…o ingrediente secreto do sexo é o amor”. E a Joe se revolta porque ela é contra o amor. Mas é dele que vem a química. E essa química não vem de beleza, não vem de intelecto, não vem de corpo, não vem da mente… essa química entre duas pessoas vem de dentro dos corações. Ela é inexplicável e é ela quem traz meu prazer mais animal.



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