Buscar
  • clara ceribelli

Rock, amor, rebeldia e suavidade

Atualizado: 8 de jul.

Esses dias assisti (finalmente rs) Bohemian Rhapsody e fiquei pensando que de alguma forma louca, a rebeldia do rock me levou ao amor. E tô aqui pensando em como escrever sobre rock e amor e rebeldia e suavidade de forma coesa, porque parece incoerente. Mas a verdade é que o rock foi minha primeira escola de ruptura. Com meus 11 e poucos anos (pasmem) e minha rebeldia sem causa ganhou causa... A de romper com qualquer sorriso amarelo de mocinha comportada que a sociedade espera das meninas. Havia uma rebeldia escondida até então desconhecida que veio a tona com cada solo de guitarra que eu escutava. Desde que me conheço por gente sempre fui muito sensível à música... Eu sinto em cada centímetro do meu corpo e além. E então é como se eu tivesse ganhado profundidade com o rock e a mocinha boazinha deu lugar pra uma filhotinha de loba arisca que não sabia onde colocar esses instintos. E então eu fiz muita cagada. Passei meus anos de adolescência fazendo cagada e chorando por elas. E ouvindo rock. E de alguma maneira fazia sentido sentir porque eu via que ninguém sentia nada, então era melhor sentir alguma coisa. Minha dor era minha causa porque era real e eu tava farta de gente mentirosa. Por alguns anos fez sentido, até que começou a ficar cansativo... e nem o solo de guitarra mais violento era capaz de saciar meu anseio por "mais". E me demorou mais alguns outros poucos anos pra desvendar o que era esse "mais"... me custou abrir mão da rebeldia sem causa pra aderir uma causa mais nobre: a verdade da alma. A verdade da alma é amor. E viver o amor é talvez minha maior ruptura, é meu maior ato de rebeldia, coisa grande demais pra se entender aos 11 anos. Meu problema não era ser a menina boazinha... Meu problema era a mentira. Era o fingimento. A vida sem sentido dos seres humanos... seus interesses, seus assuntos, tudo vazio! Sempre me foi insuportável e eu achava que gritar e me rebelar e querer caos era algum tipo de ato revolucionário contra as máscaras frias que as pessoas usavam. Mas a verdade é que no fundo no fundo, aqui mora não uma menina boazinha, mas uma mulher profundamente boa que não quer nada além das verdades arregaçadas que a maioria não tolera, a verdade ULTIMA - coisa que não se explica, se sente. Além das suas desculpas, além das suas normas sociais, além de fofocas maldosas e novelas insuportáveis, além das doutrinas religiosas, além de política e códigos morais, além dos egos e fachadas e vida sem sentido! A verdade última é o amor e me rebelo até contra essa própria palavra porque também já estou de saco cheio do tanto de mentira falada em nome do amor. Tô de saco cheio de tanta ilusão e fantasia e distorção em nome do amor. Tô de saco cheio de tanto vitimismo em nome do amor. Aqui eu tô falando do AMOR. Aquela coisa que você sente pulsar no coração e pode finalmente abrir mão e se render pra tudo. Pra vida. Pro mistério. Pro Todo. É esse amor que te faz abrir mão de tantos ideais e paixões violentas por coisas e pessoas e assuntos idiotas e mágoas em vão. Quando você sentir, não vai te restar mais nada dessas besteiras... Você percebe cada vez mais que 99% do que as pessoas vivem, incluindo você mesmo, é besteira e não faz sentido. E a vida vai desmoronando. Vai se desfazendo. Vai suavizando... até a própria insuportabilidade dos egos alheios não é mais grande coisa. Você pode soltar. Você percebe que nesse mundo insano cheio de manipulações e manipulados, sua maior revolução é seu achado: a suavidade de quem tem certeza absoluta de que o amor venceu. E ao rock n roll só tenho a agradecer, por ter sido o primeiro lugar que encontrei originalidade, e por ter me aberto as portas pro caminho da profunda escuridão... que só pode afinal, levar pra luz. Que eu seja pra sempre pura ambiguidade! 🤘


7 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo