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  • clara ceribelli

Voz, comunicação e relacionamento

Eu comecei a fazer a Ressonância Harmônica do Hélio Couto faz uns 2 meses. Só pra contextualizar, em suma, é um tratamento espiritual para limpeza absoluta do ego até a iluminação total. Muita coisa tem mudado radicalmente em minha vida, principalmente dentro de mim, minha maneira de sentir e enxergar as coisas. Um dos acontecimentos que mais achei interessante foi que desde o primeiro dia da ressonância, comecei a ter várias questões na garganta. Primeiro fiquei com dor de garganta real por vários dias, até que melhorou, mas continuo sentindo incômodo e não paro de tossir. Minha voz está “fraca” e eu não estou conseguindo cantar direito sem ficar rouca. Estou notando que meu tom de voz está mudando, e minha maneira de conversar também, e estou achando isso muito louco porque várias das coisas que pedi para serem trabalhadas energeticamente tem a ver justamente com comunicação. Se comunicar vai muito além do que a gente imagina… é a partir da voz que a gente expressa nossa essência, quem realmente somos, como nos mostramos ao mundo, qual nossa verdade. Voz é som, pura vibração, e a gente emite muita coisa a partir disso. Eu já tive muitos problemas com a forma que me expresso. Fui por muito tempo uma pessoa extremamente agressiva na minha forma de falar, grosseira, dominante, autoritária, ríspida. Então, percebendo que isso fazia mal aos outros, comecei a me calar e fui me calando cada vez mais. Ao calar a minha voz eu calei minha essência e fui perdendo meu brilho. Eu já não falava mais o que pensava, não dava opinião, não dizia no que acreditava por vergonha e por medo de me expressar, e por tanta coisa sufocada as vezes caia de novo no antigo padrão de violência - gritando, impondo, etc. Eu não sabia modular, era 8 ou 80, gritar ou sufocar. Comecei a criar algumas consciências sobre isso e perceber que é perfeitamente possível eu expressar minha verdade sem a necessidade de impor. Que é perfeitamente possível expressar meus limites sem a necessidade de ser agressiva. Que ao calar a mim eu estou machucando a mim, mas que não preciso machucar o outro quando abrir a boca. Percebo particularmente o quanto isso mudou em relação aos homens que me relaciono. Por muito tempo fui uma “mulher brava” ou “emburrada”, e hoje vejo que essa minha agressão vs silenciamento tinha a ver com o feminino ferido. Minha agressividade era uma maneira de proteger minha vulnerabilidade feminina, e meu silenciamento também… de uma forma eu me protegia atacando, de outra forma eu me protegia escondendo. No final, sempre alguém acabava machucado pela minha inabilidade ao diálogo - frequentemente eu mesma. Quando eu era agressiva, era uma forma desesperada de tentar controlar a situação e liderar aquilo, tomar as rédeas… até que a vida me levou a um lugar em que eu não aguentava mais segurar rédea alguma. E isso me deu medo. Mas mesmo com medo, comecei a me permitir me abrir com as pessoas… falando as coisas que me desagradam sem precisar atacá-las. Falando o que me agrada sem precisar me esconder. Sabendo que as pessoas muitas vezes vão falar e fazer coisas que eu não vou gostar, e que tá tudo bem eu comunicar isso para elas mostrando minha vulnerabilidade, não minha raiva. Eu sinto que por tanto tempo tive uma raiva descontrolada dentro de mim, que eu descontava nos outros ou descontava em mim mesma. E esse trabalho que tem sido feito na minha garganta tem sido muito revelador. Estou achando extremamente intrigante o fato de eu não estar conseguindo mais cantar direito… o que eu sei que é passageiro. Eu sinto como se minha voz estivesse sendo “redefinida”, junto com a nova pessoa que estou me tornando. Hoje me vejo conversando com homens de forma que nunca imaginei ser possível. Achei que eu jamais conseguiria deixar de ser a “mulher brava”... e hoje eu sou um doce, rs. E sinto tanto prazer nisso! Tanta leveza em não precisar mais me proteger por trás de uma armadura nas relações… sabendo que eu sei modular minha fala, sei me comunicar, posso me expressar e que as pessoas certas estão dispostas a escutar. E eu posso escutar de volta sem contra atacar ou me retrair. E isso torna as relações mais próximas, até mesmo quando falam coisas desagradáveis. Quando você cria a habilidade de passar pelo desconforto e saber lidar com ele. Quando você consegue permanecer fiel a quem você é independente da situação externa. E quem eu sou não é uma pessoa nervosa, grossa, rude. Nunca fui essa pessoa por dentro, embora ela tenha me ensinado muitas coisas sobre limites. Hoje eu posso colocar limite sendo doce. Meiga. Vulnerável. E eu sei muito bem quando não devo ser assim, com quem eu não devo ser assim, porque tem gente que abusa realmente. E até para essas pessoas, eu não irei ser grossa, não irei ser rude nem brava. Eu terei firmeza e vou continuar em paz comigo sabendo que não estou me descontrolando por causa de ninguém. Não sou perfeita. É claro que ainda erro… às vezes ainda me calo. Às vezes ainda falo mais do que deveria. Às vezes sinto a minha garganta sufocar e arder com a dor daquilo, sem saber se vomito pra cima do outro ou se engulo o amargo. Estou aprendendo. E estou adorando! A comunicação cria pontes entre nós e as outras pessoas. Cria relacionamento. E relacionamento - com coisas, pessoas, situações, lugares - é experiência. A profundidade da sua experiência depende da profundidade com a qual você consegue se relacionar com os objetos externos - e os internos também. Se comunicar é colocar quem você é no mundo. A sua voz é sua marca pessoal e intransferível. Mal posso esperar pra ver quem vou ser quando eu voltar a cantar.




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